Em Construção
Os escorpiões do gênero Tityus são os causadores de acidentes. As principais espécies são:
Tityus serrulatus
Mede cerca de seis a sete centímetros de comprimento e possui o colorido do tronco marrom-escuro, pedipalpos, patas e cauda amarelos.
Tityus bahiensis
Mede cerca de seis a sete centímetros de comprimento e possui a coloração marrom-escuro, patas manchadas, pedipalpos com mancha escura no fêmur e na tíbia.
Tityus stigmurus
Mede cerca de seis a oito centímetros de comprimento e possui coloração amarelo-escuro. Apresentam, apresentando um triângulo negro na cabeça e uma faixa escura longitudinal mediana. Presença de manchas laterais no tronco.
Tityus fasciolatus
Mede cerca de seis a oito centímetros de comprimento e possui coloração amarelo-escura. Apresenta três faixas longitudinais quase negras, além de manchas laterais no tronco.
Tityus cambridgei
Mede cerca de seis a oito centímetros de comprimento, possui a coloração escura, quase negra e pentes claros esbranquiçados.
São notificados anualmente cerca de 8.000 acidentes, com uma letalidade variando em torno de 0,58%. O Tityus serrulatus é o maior causador de mortes no Brasil. Na sua grande maioria crianças com menos de 7 anos de idade. O escorpionismo grave caracteriza-se por falência cardiocirculatória, podendo cursar com edema pulmonar, sendo esta umas das causas mais comuns de óbito. O comprometimento cardíaco é caracterizado por alterações eletrocardiográficas (ECG) sugestivas de miocardite e (ou) infarto agudo do miocárdio, com aumento das enzimas creatinoquinase (CK) e lactato desidrogenase (LD). O edema pulmonar observado nos casos graves, e que muitas vezes é responsável pelo óbito do paciente, pode ter origem cardiogênica ou pela liberação de mediadores químicos no pulmão (aumento da permeabilidade vascular).
A radiografia do tórax de um paciente picado pelo escorpião Tityus serrulatus pode mostrar edema pulmonar acometendo predominantemente um dos pulmões e com aumento da área cardíaca.
A grande maioria dos pacientes acidentados gravemente cursa com vômitos, às vezes com dor abdominal e aumento da amilase sangüínea. Todos os pacientes devem ficar em observação, em ambiente hospitalar, entre 4 e 6 horas após a picada.
Todos os pacientes devem ficar em observação, em ambiente hospitalar, entre 4 e 6 horas após a picada. O tratamento visa atingir os seguintes objetivos:
Combater os sintomas do envenenamento:
O combate à dor deve sempre ser realizado. Analgésicos via oral ou parenteral são utilizados, além da infiltração local de 2 a 4 ml de anestésico tipo lidocaína sem vasoconstritor. Pode-se repetir após uma hora se necessário.
Dar suporte às condições vitais do paciente:
Os pacientes com manifestações sistêmicas, especialmente as crianças, devem ser mantidos em regime de monitoração continuada quanto à freqüência cardíaca, respiratória, pressão arterial, gases sangüíneos, equilíbrio ácido-básico e estado de hidratação.
Neutralizar o veneno circulante:
A soroterapia específica (soro antiescorpiônico ou soro antiaracnídico) é sempre indicada em casos graves e acidentes moderados em crianças abaixo de 7 anos de idade. O soro deve ser administrado por via endovenosa o mais precocemente possível.
| Classificação escorpionismo | MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS | TRATAMENTO | |
| Geral | Específico | ||
LEVE |
Somente presente as manifestações locais. Dor presente em 100% dos casos. Ocasionalmente vômitos, taquicardia e agitação de pequena intensidade. |
Combate à dor; analgésico e (ou) anestésicos locais. Observação quanto ao aparecimento de manifestações sistêmicas durante 6 a 12 horas, em ambiente hospitalar, principalmente crianças abaixo de 7 anos. |
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MODERADO |
Manifestações locais e alguma sintomatologia sistêmica como agitação, sonolência, sudorese, náuseas, vômitos, hipertensão arterial, taquicardia e taquipnéia. |
Combate à dor. Observação da evolução clínica durante 12 a 24 horas, em ambiente hospitalar. |
Em crianças abaixo de 7 anos está indicado SAE*: 2-4 ampolas IV. Nos demais, vide tratamento geral. |
GRAVE |
Manifestações locais e sistêmicas. Vômitos profusos e freqüentes, náuseas, sialorréia, lacrimejamento, sudorese profusa, agitação, alteração da temperatura (geralmente hipotermia), taquicardia, hipertensão arterial, alteração do ECG, taquipnéia, tremores, espasmos musculares, paralisias e até convulsões. Os casos graves podem evoluir com bradicardia, bradipnéia, edema agudo pulmonar, colapso cardiocirculatório, prostração, coma e morte. |
Combate à dor. Internação hospitalar. Cuidados intensivos, monitorização das funções vitais. Cuidados de UTI. |
5-10 ampolas IV de SAE*. |
*SAE = Soro antiescorpiônico (ou soro antiaracnídeo). Uma ampola de soro (5 ml) neutraliza 7,5 DMM (doses mínimas mortais) do veneno referência (Tityus serrulatus). |
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